Domingo, 12 de Maio de 2013

A manhã de hoje foi ocupada com a cerimónia de inauguração da rotunda da Fonte Nova e com o descerrar das placas toponímicas de duas ruas adjacentes à chamada “Piscina Coberta”. A uma das ruas foi posto o nome do João Gama Guerra, antigo presidente da Câmara e à outra, o meu próprio nome pois que se passará a chamar Rua Francisco Galego. Por baixo do nome puseram “escritor e historiador”. Desde logo referi que achava mais adequado que tivessem posto “professor e historiador” por ser mais concordante com aquilo que de facto pretendi ser.

Primeiro foi lido um texto com os aspectos mais significativos do meu curriculum académico, profissional e como escritor e historiador. Depois falou o presidente da Câmara que destacou o apoio que tenho dado à vida cultural da vila desde que regressei, há cerca de oito anos, referindo o proveito que, no seu entender, retirava das conversas que íamos tendo nos frequentes diálogos com que íamos preenchendo o nosso relacionamento.

Quando chegou a minha vez de falar resolvi recordar, ali em público, um episódio da minha vida de professor que vou aqui precisar e que consistiu no seguinte:

Um outro professor com o qual sempre tive um relacionamento muito pouco empático, perguntava-me porque é que eu me esforçava tanto no trabalho e na preocupação com os alunos. Devo dizer que ele era principalmente uma espécie de empresário comercial que dava umas aulas porque achava que era uma maneira fácil de acrescentar o seu rendimento mensal com muito pouco esforço. 

Respondi-lhe com razões que tinham que ver com as minhas origens familiares, razões que ele não queria nem podia entender. Objectou com evidente desprezo: “Se calhar estás à espera de que te ponham o nome numa rua!”

Aí têm, porque, naquele momento recordei um episódio passado há bastantes anos. Não pude deixar de sorrir para mim mesmo. Então não era que estava ali para receber, como homenagem, ter o nome numa rua? Ou seja, o desprezo das palavras que me tinham sido dirigidas, há tantos anos, tornava-se realidade e homenagem naquele momento.

A vida reserva-nos cada surpresa!...

Depois desta evocação li o escrito que a seguir transcrevo:

 

 

Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior.

Senhoras e senhores vereadores. Senhoras e senhores membros da Assembleia Municipal.

Minhas senhoras e meus senhores.

Estimados amigos e conterrâneos e todos os que aqui estão presentes:

 

As homenagens não se pedem porque, se são pedidas, deixam de ser homenagens para se tornarem favores ou pagas por serviços contratados.

 

As homenagens apenas se podem aceitar ou rejeitar. E eu não encontrei razões para rejeitar esta que agora me é feita.

 

As homenagens destinam-se a premiar o mérito que os outros atribuem ao homenageado e nunca o mérito que o homenageado se atribui a si próprio.

Segundo um dos princípios básicos da justiça e do direito, ninguém deve ser juiz em causa própria porque, enquanto uns têm a vaidosa tendência para se atribuírem valor em excesso, outros têm a tendência humilde para se desvalorizarem pensando que poderiam ter feito mais e melhor do que aquilo que fizeram.

 

Por isso, manda o bom senso que me limite a aceitar esta prova de reconhecimento e de estima com que resolveram agraciar-me. E é por isso que aqui nos encontramos. Por este acto, não sou eu que fico com uma rua, mas uma rua desta nossa querida terra que vai ficar com o meu nome.

 

Olhando para a rua onde o meu nome vai ficar registado, verifico que ela não é ainda bem uma rua, mas um projecto que, no futuro se irá tornando numa rua. Agrada-me pensar nesta circunstância, para mim tão simbólica, porque, olhando para trás, constato que, de facto, a minha vida tem sido uma sequência de projectos. Este será portanto mais um projecto a que o meu nome se encontrará ligado.

 

Dito isto, resta-me apenas agradecer este gesto simpático que eu, muito honestamente, considero demasiado para a modéstia do que, no meu entender, terei feito em benefício de Campo Maior. Acho que, neste caso, a paga é muito maior do que os serviços prestados.

 

Perante esta afirmação resta-me apenas tomar a decisão de continuar a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ser digno desta honrosa distinção.

A todos o meu MUITO OBRIGADO!



publicado por Francisco Galego às 17:48
Um abraço professor, essa homenagem foi mais que meredida, já tardava.
João rosinha a 15 de Maio de 2013 às 21:46

Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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