Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
ESTRATÉGIA, PLANEAMENTO E TÁCTICA (II – As práticas)

Se atentarmos bem nas práticas de muitos dos que fazem da actividade política a sua principal ocupação, acabamos por entender que é a ausência de uma noção clara destes três conceitos, ou um deficiente e degenerado modo de os entender que está na base das suas atitudes, comportamentos e maneiras de conduzir a gestão que desenvolvem em consequência dos cargos de que estão empossados.

Basta consultar um bom dicionário para podermos entender que, sendo conceitos essenciais para a prática política, eles estão completamente ausentes do pensamento e das práticas de alguma gente que tem grande peso na tomada de decisões. Tratando-se de decisões de grande responsabilidade social, elas são geradoras de importantes e, por vezes, trágicas consequências.

Alguns, não tendo qualquer noção do que sejam a estratégia, o planeamento e a táctica, ignorando ou desprezando a necessidade de definirem e orientarem com rigor as suas decisões, limitam-se a agir empiricamente, decidem em cada caso concreto como mais lhes convém, ou como melhor lhes parece, sem cuidarem da responsabilidade social implícita na sua função de governantes. O que resulta da acção destes desgovernados é uma sequência de actos sem lei nem norte, decisões tomadas sem definir com clareza as finalidades, acções iniciadas sem planeamento prévio, nem cálculo dos recursos disponíveis a utilizar. Vão ao sabor das circunstâncias, tacteando ao acaso da improvisação, muitas vezes sem sequer remediar os erros que vão cometendo. Como resultado, desperdiçam recursos, gastam tempo, perdem oportunidades e não só não resolvem como, por vezes, agravam os problemas.

No extremo oposto há também os que planeiam até ao ínfimo pormenor, descrevendo com minúcia todos os passos e cada gesto a executar. Mas, porque o fazem sem terem definido uma estratégia, partem para a acção sem uma consciência clara das razões porque agem, nem dos objectivos que devem atingir. O tempo, o esforço e os meios gastos para planear esgotam a capacidade para bem agir. Nestas condições torna-se difícil alcançar o pleno sucesso.

Em contrapartida, outros arvoram-se em grandes tácticos recorrendo a manigâncias mais ou menos astutas para obterem benefício próprio, ou para satisfazerem a sua insana vontade de poder. Recorrem a truques e trafulhices, julgando estar a executar hábeis tácticas e a desenvolver inteligentes projectos. Na realidade o que eles fazem nada tem a ver com a Política, se entendermos a Política como a capacidade de determinar com rigor as necessidades reais e como a arte de escolher as melhores soluções atendendo às condições de que se dispõe, num determinado momento e em determinadas circunstâncias. No fundo a Política deve ser a ciência e a arte de fazer o melhor dentro do que é possível ser feito.



publicado por alemcaia às 09:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
ESTRATÉGIA, PLANEAMENTO E TÁCTICA (I – Os conceitos)

Os conceitos de estratégia, planeamento e táctica tiveram a sua origem no domínio militar, mas foram passando para outros domínios como o político e o empresarial, sendo tomados em consideração sempre que se trata de tomar decisões de forma a garantir o máximo de eficácia com o mínimo de esforço e despendendo o menor gasto de recursos.

Estes conceitos foram explicitados por grandes pensadores como Maquiavel (1469-1527), escritor e politico italiano que desempenhou cargos importantes ao serviço de Florença, sua cidade natal. Na sua obra, A Arte da Guerra, publicada em 1521, explicitou a doutrina de que, durante a guerra, tinha de haver uma relação muito íntima entre a acção militar e as finalidades da política. Frederico II, o Grande, rei da Prússia entre 1740 e 1786, grande estadista, homem de grande cultura e chefe militar eminente, considerava a guerra como um assunto do Estado e, por isso, exigia um rigor matemático na definição das estratégias e tácticas militares que garantissem que, com o mínimo de recursos e de esforços, se obtivessem os melhores resultados. Napoleão Bonaparte introduziu na estratégia militar o conceito de planeamento em larga escala e em amplos espaços, para a preparação das suas campanhas militares. Carl von Clausewitz (1780-1831), oficial do exército prussiano, membro de estado-maior e director da Academia de Guerra, na sua obra Da Guerra publicada postumamente entre 1832 e 1834, baseado nos estudos que fez sobre as campanhas napoleónicas, explicitou a ideia de que a estratégia ocupava o nível mais elevado da direcção militar e, por isso, tinha de ser delineada em conjugação com a política.

O conceito, hoje mais ou menos consensualizado, de estratégia define-a como uma metodologia científica, uma maneira bem estruturada para elaborar projectos ou planos de acção, tendo em consideração os recursos de que se dispõe para se poderem atingir certos objectivos que se destinam a concretizar os fins em vista. Trata-se, portanto, de um saber que permite estruturar uma actividade para conseguir realizar qualquer projecto ou intenção com vista a atingir determinados objectivos convergentes para uma finalidade.

Intimamente ligado ao conceito de estratégia foram-se explicitando os conceitos de planeamento e de táctica.

O planeamento consiste em elaborar uma antevisão da acção que pressupõe o traçar de um projecto geral que fixe os objectivos, considere os recursos necessários e os disponíveis, calendarize as etapas e o tempo de execução.

Se a estratégia define o que fazer tendo em vista as intenções e o planeamento define como desenvolver a acção para realizar o que se pretende, a táctica consiste em usar da melhor maneira os recursos, recorrer aos métodos mais adequados e mais eficazes para desenvolver a acção planeada. A táctica diz respeito ao como fazer, à maneira de proceder, aos modos de agir a que devemos recorrer para ultrapassar obstáculos, resolver situações que se nos colocam quando temos de desenvolver uma acção.



publicado por alemcaia às 12:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
VITÓRIAS À PIRRO

Pirro, foi um rei do Épiro, país que se situava a norte da Grécia, junto ao mar Adriático. Viveu entre 318 e 272 a.C. Nasceu, no ambiente conturbado que se vivia naquela região depois da morte de Alexandre Magno e da desagregação do imenso império que ele tinha conquistado na parte oriental do Mediterrâneo.

Pirro subiu ao trono com apenas 12 anos. Foi destronado e conseguiu depois reconquistar o poder. Aos 20 anos era já uma figura lendária, tantas eram as situações porque passara e tantos eram os conflitos em que tinha participado.

Tendo recebido uma excelente preparação militar, dera provas de grande bravura e de capacidade como estratego nos muitos combates que travara. Táctico de génio, era, contudo, medíocre como político. Faltou-lhe o sentido do concreto e não teve capacidade para avaliar a força real de que dispunha. Por isso, sonhou chegar muito além do que realmente podia almejar.

Tomava como modelo Alexandre Magno que unificara o Oriente até ao Indo e aos confins do Egipto. Concebeu para si o projecto de se tornar o grande unificador do Ocidente.

Em cumprimento dos seus planos megalómanos, depois de vários êxitos militares na sua região, acudiu ao pedido de auxílio das cidades gregas do sul da Itália, que lhe pediam ajuda contra os romanos que estavam em plena fase de expansão.

Atravessou o Adriático com os seus exércitos de 25 mil homens e 20 elefantes. Travou duas importantes batalhas contra os romanos: a de Heracleia, em 280 a. C., e a de Ausculum (Ascoli), em 279. C.

A decisão destes recontros pareceu ter sido favorável ao exército de Pirro. Mas, tinha sofrido baixas tão grandes que, estando tão longe da sua terra, dificilmente poderia receber reforços. Conta-se que, num momento de lucidez em que estava a ser cumprimentado pela vitória, Pirro terá comentado: “Pois! … Mais uma vitória como estas e estarei completamente vencido”.

Verdade seja que, a partir daí, Pirro não mais conheceu a vitória. Depois de uma tremenda derrota, em 275 a.C., na Batalha Meleventum, Pirro ficou reduzido a 1/3 do seu exército. Teve de retirar para o Épiro onde morreu em 272 a.C. (Os romanos mudaram o nome desta batalha para Beneventum, tal como os portugueses, muitos séculos depois, mudaram o nome de Cabo das Tormentas para Cabo da Boa Esperança). Esta situação histórica pareceu sempre tão paradigmática que até hoje se diz que houve uma “vitória à Pirro”, sempre que as consequências que dessa vitória resultam são tão nefastas que mais valia que ela não tivesse acontecido.

 

A que propósito vem esta história?

A propósito da minha profunda convicção de que o conhecimento da História pode ser muito útil para melhor fundamentarmos as decisões que temos de tomar ao longo da nossa vida. Neste sentido, podemos usar a História como uma autêntica mestra de vida.

Mas vem, sobretudo, a propósito da tendência, que os homens, tanto individualmente como associados em grupos ou em instituições, têm para se envolverem em situações e projectos sem avaliarem bem as consequências que daí podem advir.

Chega às vezes a ser dolorosa a constatação de como, com tanto esforço, tanto empenho e tanta determinação, se está de facto a caminhar no sentido que menos conviria ter seguido. Mais doloroso ainda é assistir à celebração de vitórias que se pode desde logo perceber que trazem mais incómodos que vantagens. Ou que as vitórias são apenas aparentes porque, na realidade, os vencedores ficam tão fragilizados que mais valia não se terem desgastado em tão inúteis combates.

De que serve envolvermo-nos em lutas que, se tivéssemos avaliado, com justo critério as circunstâncias, a capacidade e as probabilidades de êxito, teríamos compreendido que não preparavam realmente o êxito que pretendíamos alcançar?

Que sentido faz lutar por causas que, bem analisadas, não trazem efectivamente vantagens reais?

Estamos a viver tempos de pouca ponderação, de muito barulho e muita agitação, sem que se façam prévias e fundamentadas análises das situações.

Porque a verdade é, evidentemente, esta: quem parte para a luta sem uma análise clara das consequências ou age com inconsciência, ou está a ser instrumentalizado por quem quer atingir objectivos que podem realmente não coincidir com os nossos. Uma coisa é certa: muitas vezes só se alcançam “vitórias à Pirro” e estas são, às vezes, de efeitos mais desastrosos que algumas derrotas. Pelo menos, as derrotas, se bem analisadas, sempre servem de lição para não voltarmos a repetir os erros que cometemos.


tags:

publicado por alemcaia às 10:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 10 de Janeiro de 2010
CAI NEVE EM CAMPO MAIOR

São 14:35:

Há bem, mais de uma hora que cai neve. Não pouca e em pequenos farrapos esparsos. Mas neve em abundância que se vai acumulando em camada espessa, cobrindo tudo de um manto branco.

Nunca tinha visto a vila assim. Tenho uma vaga ideia de, sendo muito pequeno, ter brincado com neve. Meu pai fez para mim um boneco. Mas é uma lembrança tão afastada que não a consigo definir com clareza.

Ver, clara e conscientemente visto, é a primeira vez que estou a ver neve a cair sobre Campo Maior. O meu terraço está coberto desta brancura fria que sinto e observo aqui pela primeira vez.

Saí para a rua. Fui até ao Jardim. O espectáculo foi inesperado. Outros pais e outros filhos faziam como eu, de maneira difusa, acho que fiz com o meu pai. Atiravam pequenas bolas de neve uns aos outros; um dos grupos tentava construir um boneco.

Continua a nevar enquanto escrevo. O fenómeno persiste e parece não estar para parar tão depressa. Os vizinhos espreitam tão admirados e deliciados como eu.

Ainda que o não queira, vem-me constantemente à memória aquela balada terna que hoje considero excessiva de tanta pieguice, mas que me deliciava quando a aprendi de cór na minha instrução primária:

 

Batem leve, levemente,

Como quem chama por mim ...

....

Afinal a neve não bate assim, como dizia o poeta. A neve produz este espantoso espectáculo que é vê-la cair.

 



publicado por alemcaia às 14:37
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
O VIRAR DA PÁGINA?

 

Findo o período das Festas, a vida retoma a sua normalidade. Será que retoma mesmo? Mas o que é para nós hoje, em Portugal, a normalidade? A continuação do que vinha sendo ao longo de 2009? Ou o regresso ao tempo anterior, um tempo em que a crise ainda não tinha desabado sobre as nossas cabeças?

Convinha muito, mas mesmo muito, que o discurso do presidente Cavaco Silva fosse o início de uma nova atitude dos que desempenham funções políticas. Porque, se atendermos aos comportamentos que tiveram ao longo do ano que terminou, nada de bom nos espera no ano que agora começa.

Se reparamos bem nos últimos acontecimentos e situações da nossa vida política mais recente, acabamos por pensar que (consequência da crise?) todos terão perdido o sentido da realidade e começaram, cada um por seu lado, a desempenhar papéis que não eram os que lhes competia desempenhar. Se não vejamos:

O Presidente da República que devia desempenhar a função de equilibrador, equidistante de todas as forças partidárias, pareceu não ter percebido que, efectivamente, já não era líder de um partido, nem um político no activo na função de primeiro-ministro. Vimo-lo interferir no jogo partidário, conspirando ou fazendo outros conspirar em seu nome ou mando do seu interesse e vontade. Vimo-lo a criticar uns, apoiando implicitamente outros. Vimo-lo calar-se quando devia intervir e esclarecer, falar e opinar quando devia guardar uma atitude discreta.

O primeiro-ministro que, embora tenha ganho as eleições, perdeu a maioria absoluta de apoiantes no parlamento, continuou a agir como se nada tivesse mudado. Assim, a convicção com que antes defendia e tentava justificar os seus pontos de vista e decisões, deu origem a uma obstinada, por vezes arrogante tentativa de impor a sua vontade, quando devia, prudentemente, ter tentado negociar para obter apoios e gerar consensos através de pacientes negociações.

Os partidos da oposição, em geral, passaram a comportar-se como se juntos constituíssem uma maioria efectiva, parecendo perder completamente a noção de que tal não passava de uma aparência conjuntural sem qualquer viabilidade de persistência e que se desmoronaria ao mínimo incidente porque, de facto, é pouco que os une e muito o que os coloca em constante conflito de interesses.

Como aceitar tal destempero e tanta irresponsabilidade, num momento em que o país vive uma fase tão crítica da sua história recente? Porque o que realmente acontece é que, na verdade, estamos a meio de uma grave crise. O desemprego não pára de crescer. A dívida externa atinge valores cada vez mais preocupantes, O défice disparou para níveis dificilmente comportáveis.

O Presidente disse: “Podemos estar a caminhar para uma situação explosiva.” E nós acreditamos, porque é mesmo à beira do abismo que todos nós pensamos que o país se encontra no momento actual.

O navio em que todos vamos embarcados, está no meio de uma desatada tempestade e parece que, em vez de nos unirmos para tentarmos manter o rumo e evitar que o barco adorne de vez e se afunde, entretemo-nos a lutar freneticamente como se não passássemos de uma “nave de loucos”.

Por todas estas razões, o Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, não se limitou a cumprir a tradição de expressar os habituais votos de saúde, bem-estar e prosperidade para todos os portugueses. Optou por lançar o grito de alerta que esta situação grave, quase desesperada, parece exigir. Ainda bem que o fez. Com ela assumiu aquilo que deve ser a sua função de zelador e garante do equilíbrio institucional, colocando-se numa perspectiva acima dos partidos. Traçou um quadro realista da situação em que vivemos, diagnosticou problemas, alertou para a necessidade de encontrar soluções para podermos ultrapassar o momento crítico que vivemos. Apelou ao bom senso, à boa vontade e ao empenho de todos. Incitou ao entendimento e à negociação, em busca de formas consensuais para enfrentar a crise esquecendo razões, ressentimentos e tensões.

Para garantirmos um futuro para todos nós, precisamos de encontrar objectivos comuns, trabalharmos em conjunto, em favor do país a que todos pertencemos. Se este apelo for entendido e aceite, poderemos ter, de novo, a expectativa de um BOM ANO para todos.

 
 

 


tags:

publicado por alemcaia às 09:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010
No dia primeiro do ano

O dia primeiro? Primeiro de quê?

Para muitos será o dia mais "chato" do ano. Tudo fechado. Nada para fazer.

Há região mega-urbana de Lisboa o hábito de fazer a chamada "volta dos tristes". De facto, querem maior tristeza do que se meter uma família, melancolicamente no seu pequeno e muito usado carro e andar às voltas, sem itinerário e sem destino pelos arredores da grande cidade?

Vai-se a Sintra, come-se uma queijada. Em Colares escorropicha-se um copito. Depois, até à Praia Grandes espreitar o mar. Volta-se pela marginal e acaba-se em Lisboa, a subir a Avenida da Liberdade, depois a da República, direito ao Campo Grande, de regresso a casa no triste bairro onde se reside.

A vida que, já de si é desinteressante, torna-se angustiosamente fastidiosa nestes dias em que, segundo a tradição, nos devemos divertir.

Há, de facto, formas muito desinteressantes de viver!

Ainda bem que a consciência da realidade varia com a capacidade que temos para a compreender. Dizia Schopenhauer, com a simplicidade do seu genial pensamento:

As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo.

Quem tiver a capacidade de entender que analise criticamente o que nela se pretende dizer. Talvez assim decida fazer algo de útil neste dia primeiro.

 

 


tags:

publicado por alemcaia às 12:22
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 26 de Dezembro de 2009
Copenhaga: Esperança ou desespero?

 

O que foi a Conferência de Copenhaga? A situação é agora de tal forma preocupante que as atenções de todas as partes do Mundo estiveram concentradas para o que se estava a passar na capital da Dinamarca, nas últimas semanas.

Esta Cimeira do Clima, foi o culminar de um processo negocial no âmbito da Convenção-Quadro das Alterações Climáticas da ONU. Teve lugar em Copenhaga, capital da Dinamarca, de 7 a 18 de Dezembro. Participaram mais de 15 mil delegados, incluindo Chefes de Governo, de 191 países. Foi a 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para as Alterações Climáticas.

A grande finalidade desta conferência foi discutir as questões climáticas que afectam o Planeta e encontrar soluções que reduzam de imediato os factores que as determinam e travem, a médio e a longo prazo, o seu agravamento.

A situação apresenta-se com uma gravidade preocupante pois que se tem verificado um crescimento exponencial dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Desde o inicio da Revolução Industrial, em finais do século XVIII, até ao nosso tempo, regista-se um aumento da temperatura, atribuído ao aumento dos níveis do CO2 e esse aumento deve ser essencialmente imputado a causas humanas.

Na anterior Conferência do Clima de Bali, reunida em Dezembro de 2007, os representantes dos países que nela participaram comprometeram-se a trabalhar em conjunto para encontrar soluções para esta situação que põe em risco a vida na Terra.

Desta vez reuniram-se em Copenhaga representantes de 191 países com o objectivo de encontrarem um novo acordo climático que substitua o Protocolo de Quioto que expira em 2012. O novo acordo destina-se a vigorar de 2012 a 2020. As partes reunidas trataram de chegar a um compromisso sobre reduções das emissões de gases com efeito de estufa. Nas duas semanas que a Conferência durou, as partes tentaram encontrar maneiras de reduzir as alterações climáticas e as formas de financiar os países em desenvolvimento de modo a que estes procedam às adaptações necessárias para que consigam reduzir as emissões de gases com efeitos nocivos, pois que, de acordo com diversas estimativas, essas adaptações irão custar cerca de 100 mil milhões de dólares por ano.

 

A Conferência de Copenhaga terminou com o desespero dramático de alguns que entendem que se ficou muito aquém do seria necessário e a aceitação conformada de outros que consideram que se chegou onde, por agora, era possível chegar.

Provavelmente, teremos ainda de correr mais riscos, assistir a maiores tragédias, aumentar o grau de sofrimento dos que vão continuar a suportar as consequências do egocentrismo dos mais acomodados. Talvez que, depois, possam vir a ser tomadas medidas mais adequadas. Veremos que efeitos práticos terão as declarações proferidas e os compromissos agora assumidos. Esperemos que não se adiem as soluções até ao momento em que será já tarde demais para evitar um colapso generalizado.

 


tags:

publicado por alemcaia às 21:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Aa questões climáticas

Estará a vida na Terra em risco? Segundo a opinião de vários cientistas que se dedicam ao estudo das variações climáticas, esta década que agora termina, terá sido uma das mais quentes desde 1850. Segundo os estudos realizados, este aumento da temperatura resultou da emissão de gases com efeitos de estufa. O Mundo tem várias regiões e muitas espécies de seres vivos ameaçadas. Como alerta para os perigos que nos ameaçam podemos apontar, como dois exemplos significativos, o dos glaciares da Gronelândia e o dos ursos polares na Rússia.

 O problema das alterações climáticas têm sido levantado em três vertentes que tem agido a três níveis diferenciados e que começaram a manifestar as suas preocupações em distintos tempos:

1. Num primeiro momento foram os grupos ecologistas que começaram a protestar contra os excessos de um desenvolvimento económico desenfreado. Estes protestos enfrentaram uma indiferença generalizada aos efeitos colaterais e suscitaram uma grande hostilidade aos sinais de alerta e a todas as acções de contestação. As reacções contra estes movimentos vieram tanto do campo empresarial como dos responsáveis políticos;

2. Depois, foram os políticos que, perante a evidência do desastre que fora desencadeado, não podendo ignorar os efeitos cada vez mais evidentes, nem calar os protestos crescentes, temendo as consequências sociais que se evidenciavam, passaram ter a uma intervenção aberta como a que se tem verificado nas diversas conferências que já se realizaram sobre esta questão;

3. Já se começaram a manifestar também as preocupações da terceira vertente pois que, perante uma pressão impossível de conter e perante a evidência do desastre para que se está a caminhar, os empresários, os cientistas e os técnicos, se apressam agora a encontrar soluções que possam, sem diminuir o progresso tecnológico e sem afectar o desenvolvimento da economia, evitar os efeitos perniciosos que põem em risco a sobrevivência da vida no nosso planeta.

 


tags:

publicado por alemcaia às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
A situação política

Por um lado, torna-se evidente a dificuldade que o governo tem tido, para se adaptar à sua nova condição de ter de governar sem dispor do apoio de uma maioria absoluta no Parlamento. Por outro lado, o ataque desenfreado ao governo no Parlamento a que temos assistido, pode levar-nos a pensar que os deputados da oposição se julgam mandatados pelo voto popular para acabarem com a maioria obtida pelo partido que formou o governo após as eleições.

Ora, na verdade, o único mandato claramente conferido pelo eleitorado foi que o governo que, em resultado da eleição, foi constituído e empossado, deveria governar por um mandato de quatro anos, embora sem maioria absoluta, a menos que no Parlamento se constituísse uma nova maioria que sustentasse novo governo, ou que fosse dissolvido o Parlamento para que houvesse novo acto eleitoral.

Ora, a situação a que se assiste parece levar à suposição de que a oposição se constituiu como nova maioria e que, por isso, entende que deve governar sem fazer cair o governo. Ora, não é esta a situação real. De facto, o que acontece, em termos parlamentares é que se, por um lado temos um partido que, por ter vencido as eleições, obteve a maioria dos deputados, por outro lado, existe uma oposição fragmentada que se tem unido para formar uma força destrutiva capaz de obstruir actos, propostas e projectos do governo, mas que não tem capacidade para apresentar medidas e propostas legislativas capazes de constituírem uma alternativa de governo que enfrente e resolva a situação crítica que o país enfrenta. Em consequência, a sua acção resulta mais no agravamento do que na resolução dos nossos problemas. Não são auspiciosas as condições políticas em que o país se encontra neste final de ano e final da primeira década do século XXI.

 



publicado por alemcaia às 09:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Uma questão de vocação?

No início deste mês, os jornais trouxeram a notícia de que, em resultado da provável afluência massiva de doentes afectados pela gripe A ou pela gripe sazonal, no período do Natal ou no fim do ano, os serviços de saúde admitiam a necessidade de requisitar clínicos que estejam em gozo de férias. Mas apressaram-se também a noticiar que os sindicatos declaravam que tal decisão seria ilegal.

E eu a julgar que, acima de tudo, os médicos devem acudir sempre que a vida dos doentes esteja em perigo. Será ingenuidade minha pensar que os deveres deontológicos que definem as obrigações dos médicos devem estar acima dos seus direitos laborais?

Penso mesmo que, em situação de emergência, os médicos acudiriam voluntariamente sem levantarem qualquer objecção. Bem, ou os médicos mudaram muito, ou eu sou um ingénuo optimista, completamente iludido sobre a questão das vocações.


tags:

publicado por alemcaia às 11:52
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

.mais sobre mim
.pesquisar neste blog
 
.Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


.posts recentes

. ESTRATÉGIA, PLANEAMENTO E...

. ESTRATÉGIA, PLANEAMENTO E...

. VITÓRIAS À PIRRO

. CAI NEVE EM CAMPO MAIOR

. O VIRAR DA PÁGINA?

. No dia primeiro do ano

. Copenhaga: Esperança ou d...

. Aa questões climáticas

. A situação política

. Uma questão de vocação?

.arquivos
.tags

. todas as tags

.links
.contador
Site Meter
.Fazer olhinhos
blogs SAPO
.subscrever feeds