Sábado, 20 de Agosto de 2016

Quando chegavam as grandes calmarias de Verão, o Alentejo tornava-se mais profundo. Mais isolado do resto do mundo.

A terra ressequida, nas horas de calor mais intenso, parecia tornar-se um imenso brasido. Olhando para longe, sobre os restolhos, víamos aquele tremeluzir que fazia desvanecer o contorno das coisas.

É a memória desta terra esbraseada que mais me traz as recordações da minha infância.

Por esta altura, livres da escola e das tarefas a que ela obrigava, batíamos os campos, insensíveis ao calor que tanto incomodava os mais velhos.

Numa busca vadia procurávamos grilos, pássaros que, estonteados pelo calor, se punham ao alcance das nossas gailoas de cana e da nossas fisgas, a que chamávamos afundas. Deitávamos a mão a alguns figos que, na ausência dos donos, ficavam ao nosso alcance Quando regressávamos esbraseados e sedentos, trazíamos os bolsos cheios de tudo a que pudéssemos ter deitado mão. Éramos livres e felizes, embora muito inconscientes dos perigos a que frequentemente nos expunhamos e, sobretudo, das maldades e excessos que quase sempre praticávamos.

Por circunstâncias da minha vida, cedo abandonei esta vida, vivida com grande sentido de camaradagem. As “maltas”, formadas pelos que viviam em proximidade de ruas, eram autênticas escolas que nos ensinavam coisas, que não se aprendiam nos bancos da escola, mas que nos moldaram para o resto da vida:

- a solidariedade entre os membros do grupo;

- o sentido de pertença àquelas pequenas comunidades;

- o sentido de entreajuda;

- a lealdade e o dever de cuidar dos mais novos, dos mais desprotegidos;

- a coragem para lutar em defesa do interesse de todos.

 A vila mudou muito. O mundo da minha infância morreu. Como morreu a comunidade rural em que cresci para a vida, aqui, em Campo Maior.



publicado por Francisco Galego às 00:30
Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

PORQUE É TEMPO DE RELER, ... É TEMPO DE REDESCOBRIR:

 

Um muito difícil ponto da economia política e social: Quantas almas é preciso dar ao Diabo e quantos corpos se têm de entregar no cemitério para fazer um rico neste mundo.

 

ALMEIDA GARRETT - Viagens na minha terra, Cap. III, (publicado em 1846, portanto, há 170 anos, num tempo em que começara a usar-se uma avançada forma de viajar rápida e confortavelmente: o combóio a vapor)

 

Pensando assim, facilmente chegamos à conclusão de que, se é indiscutível que há uma  mudança  rapida e contínua nas condições de vida, há, contudo, algo que muda tão lentamente que chega a parecer que, de facto,  não muda. Senão vejamos: Em que é que mudou a inteligência política e a consciência social dos que neste mundo acumulam o poder e a riqueza?



publicado por Francisco Galego às 08:13
Terça-feira, 26 de Julho de 2016

 

 

FAÇAMOS UMA PAUSA

 

 

SIM, PORQUE, ESTE CALOR

 

 

TIRA A VONTADE DE AGIR.

 

 

ESCREVER SEMPRE

 

TAMBÉM CANSA

 

 

E ABORRECE QUEM

 

COSTUMA LER

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 09:44
Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

António Henriques da Silveira no seu “Racional Discurso sobre a Agricultura e População da Província do Alem-Tejo”, in Memorias Economicas para o adiantamento da Agricultura, das Artes e da Industria Portuguesa, publicada pela Academia das Ciências, tomo I, 1789, colocava entre as terras mais férteis do Alentejo, os “barros vermelhos” de Elvas, de Campo Maior, de Fronteira e de Estremoz. Para além destas povoações cita apenas Olivença, Beja e Serpa como terras com especial aptidão para a cultura dos cereais, principalmente do trigo.

 

Em Campo Maior, até meados do século passado, era significativo o volume da produção de trigo, aveia e cevada. A cultura de legumes era limitada a pequenas extensões em hortas e quintas na proximidade da vila. Os alqueives eram aproveitados para semear em grandes quantidades algumas leguminosas (os grãos, os chicharos e as favas). Tinham também bastante significado na economia local, as produções de vinho e  de azeite.

Contudo, só a produção de trigo era largamente excedentária permitindo a sua exportação em gande escala, para fora do concelho.

Segundo dados de 1823, as condições dos transportes não permitiam levar com facilidade grandes quantidades de mercadorias a grandes distâncias. Apesar disso, muito do trigo produzido no Alentejo chegava até Lisboa. O Tejo e o Sado eram as principais vias para encaminhar os cereais para a capital. São conhecidas as ligações que a vila de Campo Maior mantinha com o porto fluvial de Abrantes. Mesmo num ano difícil como, por razões militares, foi o de 1809, devido às invasões francesas, Campo Maior enviou, no mês de Maio, com destino a Lisboa, 2.742 alqueires de trigo.

O transporte era feito em carros puxados por bestas pertencendo a pessoas que faziam do acarreto de mercadorias a sua principal actividade – os carreteiros. Estes faziam o caminho de Abrantes, transportando o trigo, tanto por sua própria conta, como por conta de particulares. Além de Campo Maior participavam neste comércio, carreteiros de outras terras como Portalegre, Arronches, Veiros, Gáfete, e Vila Viçosa.

 Este comércio de cereais do Alentejo pelo porto de Abrantes manter-se-á até meados do século XX. Segundo uma memória sobre Niza, ocupavam-se regularmente neste transporte de cereais de Campo Maior e de Castelo de Vide para Abrantes, 180 a 200 carreteiros.

Claro que uma boa parte do trigo que partia destas localidades devia provir de Espanha por actividade de contrabando. O contrabando esteve, por natureza, desde sempre ligado ao destino de Campo Maior até que a evolução da História ditou a abolição das fronteiras numa Europa onde a existência das fronteiras tantos problemas causou na relação entre os povos.

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Sexta-feira, 22 de Julho de 2016

IV – As Defesas de Ouguela

 

Ouguela que até 1834 era ainda um concelho gozando de plena autonomia administrativa, tinha também os seus terrenos comunais ou baldios.

Um deles – a Referta – era designada como contenda porque, ultrapassando o seu território para o lado de lá da fronteira com a Espanha, tinha o seu uso de ser partilhado pelas populações de Ouguela e de Albuquerque.

Além desta, havia ainda o baldio da Travessa e o baldio de Nossa Senhora da Enxara. Das terras comunais, estas foram a que mais cedo foram cedidas ao uso privado: do baldio da Travessa foi concessionada uma parcela de um quarto légua em 1821; quanto ao baldio de Nossa Senhora da Enxara, a Câmara propôs, em1825, a sua divisão em pequenos lotes a atribuir em carácter de enfiteuse aos moradores, desde que o rendimento da sua concessão não fosse inferior ao que a Câmara auferia com a venda das pastagens. Mais tarde, quando decidiu torna-se proprietário nesta região, o Barão de Barcelinhos, depois titulado como Visconde de Ouguela, adquiriu muitas destas pequenas propriedades constituindo com elas uma herdade.

 

Hoje quase nada mais resta das antigas defesas que outrora existiram no actual território do concelho de Campo Maior.



publicado por Francisco Galego às 00:07
Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

III – As Defesas da Godinha

 

 

Duas outras defesasGodinha de Baixo e Godinha de Cima –ficavam a sudeste, numa região descoberta. Apesar da semelhança da designação, nada tinham de comum com as referidas ao concelho de Elvas.

A defesa da Godinha de Baixo era alugada por três anos como qualquer herdade e o seu locatário conservava para si as suas pastagens. Esta herdade foi cedida, no século XIX, a título definitivo ao seu arrendatário que passou a ter sobre ela direito pleno de propriedade.

A defesa da Godinha de Cima que, segundo o testemunho do corregedor de Elvas, em 1812 tinha cerca de mil hectares de superfície, deu origem a prolongados conflitos na segunda metade do século XVIII.

Até 1775 tinha estado reservada aos bovinos não utilizados no trabalho (geralmente os animais mais jovens e até ao limite de dez cabeças por pessoa). Nela se acolhiam também os cavalos. Só excepcionalmente era cultivada como, por exemplo, no ano de 1705, com o pretexto que de que o número de animais tinha sido muito reduzido por causa da guerra. Como foi dito na provisão de 20 de Junho que tomou essa decisão, “assim se tinha procedido nas guerras passadas e assim se fazia enquanto esta durasse”. Recomeçaria a ser utilizada para o gado em 1748-49, para combater uma praga de gafanhotos.

A partir de 1776 o estatuto da defesa da Godinha de Cima foi muito modificado. Era vendido o direito aos pastos ou seja, o direito de nela colocar bovinos em pastagem. Quatro anos depois, o beneficiário solicitou que lhe fosse concedido o direito de semear doze moios de terra o que lhe foi concedido pela Câmara para um período de três anos, o qual foi alargado para mais seis anos em 1782. A população mantinha apenas o direito de aí poder alimentar os bois e os cavalos não utilizados no trabalho dos campos.

 

Quanto aos baldios da Godinha, a notícia que se transcreve refere claramente como e quando essas terras comunais foram transformadas em pequenas parcelas de apropriação privada:

A DEMOCRACIA, Nº 159, Elvas, 12 de Janeiro de 1871

“A Ex.ma câmara municipal está já procedendo à demarcação e numeração das sortes da Godinha; fez uma distribuição o mais lata possível, de modo que, não só todos os chefes de família serão contemplados com uma sorte de uns 5 alqueires de terra, senão também todos os órfãos de pai e mãe, estejam ou não estabelecidos e vivam ou não em comum ou separados. É imerecida a censura que alguns fazem à câmara por a forma ou o sistema de terra que mais viria a pertencer a cada chefe de família. Contraste-se isto com o honroso procedimento da câmara, cujos membros não quiseram ser contemplados na distribuição das sortes. Louvor à sua abnegação.”

Campo Maior, Janeiro 7. O correspondente: Manuel Rosado Pimpão Junior



publicado por Francisco Galego às 00:05
Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

(...) A educação é pautada pela doutrina da sociedade de consumo. Os alunos são orientados para os desejos que a orgia da publicidade fomenta. Paulatinamente, muitos professores foram-se transformando em peões de um sistema sem humanidade. Paulatinamente, aceitaram desincentivar os seus alunos de questionar e discutir causas e razões.

(...) Os sistemas de educação deixam as nossas crianças sem tempo para serem crianças. Porque lhes definimos rotinas e obrigações segundo um modelo de adestramento que ignora funções vitais de crescimento. O ritmo de vida das crianças é brutalmente acelerado segundo o figurino errado de vida que a sociedade utilitarista projecta para elas. Queremos que elas cresçam depressa. A pressa marca tudo e produz ansiedade em todos. Não lhes damos tempo para errar e aprender com os erros, quando o erro e a reflexão sobre ele é essencial para o desenvolvimento dos jovens. É a ditadura duma sociedade eminentemente competitiva e utilitária, mas pobre porque esqueceu a necessidade de formar os seus, também, pelas artes, pela estética e pela música.

Muitos dizem que temos a geração mais preparada de sempre. Mas será que temos? Ou será que temos, tão-só, uma geração com uma relação elevada entre o número dos seus elementos e os graus académicos que obtiveram? E preparada para quê? Para responder ao “mercado” ou para responder às pessoas? É que há uma diferença grande entre qualificar e certificar, preparar e diplomar. (...)

Para ler na íntegra: Santana Castilho, In,  Quando Deus é o mercado e a religião é o dinheiro”. Público, “Opinião”, de13/07/2016.



publicado por Francisco Galego às 00:59
Domingo, 10 de Julho de 2016

A DEFESA DE SÃO PEDRO

 

Localizada a sudoeste da povoação, numa área arborizada e ligeiramente ondulada, era todos os anos dividida em sortes, em partes de um moio de semente, ou seja, de uma dezena de hectares, as quais eram leiloadas e cedidas para serem cultivadas,  pela melhor oferta e nelas se praticava um afolhamento trienal, como nas restantes herdades da região. Este afolhamento não era rigorosamente respeitado, pois uma parte da terra em repouso era utilizada com outras culturas.

Como se vê, o cultivo destas sortes da defesa de São Pedro era feito em regime de exploração privada pelos que tinham conseguido, em leilão, arrematar o direito ao seu uso pelo período que decorria entre uma sementeira e a sua colheita. Era uma prática que nada tinha de trabalho colectivista popular e muito menos de uso comunal.

Depois das ceifas a Câmara vendia os restolhos pela melhor oferta. Mas, mesmo no tempo dos restolhos, uma parte da defesa de São Pedro, estava à disposiçãodos animais dos habitantes da vila.

Era numa parte integrante da Defesa de São Pedro – o Rossio – que a população podia realizar anualmente as suas eiras onde, após as ceifas, se procedia à debulha dos cereais.

 



publicado por Francisco Galego às 11:04
Terça-feira, 05 de Julho de 2016

I – A Defesa do Carrascal

 

Numerosos documentos aludem às terras comunais de Campo Maior – as defesas do concelho que, segundo documentos antigos, teriam sido estabelecidas no século XIV, reinado de D. Pedro I, para uso comunal da população e para garantia dos recursos necessários à administração pública dos municípios, eram particularmente importantes nas terras raianas que, por razões defensivas, tinham de ser atractivas para a fixação da população.

Segundo Rui Vieira, no caso de Campo Maior, uma das mais antigas referências data do reinado de D. João III, segundo a qual este rei, no ano de 1550, terá autorizado que a Câmara Municipal campomaiorense arrendasse “a Defesa do Carrascal por dois anos, por mil cruzados, por o concelho estar com grande necessidade para a despesa da água e fonte que fazeis e para acabardes as audiências e para se fazer um açougue (…) este último a construir, tal como as Casas da Câmara e das Audiências, na referida Praça Velha”. O mesmo autor refere que “esta defesa do Carrascal, que possuía 20,5 moios de terra, foi comprada à Câmara Municipal de Campo Maior, em 1609, por António da Silva Meneses por 9.250 cruzados (3 contos e setecentos mil réis).”

 Segundo Albert Silbert, uma notícia de 1758 faz referências pormenorizadas ao estatuto e utilização destas terras comunais.



publicado por Francisco Galego às 00:10
Quinta-feira, 30 de Junho de 2016

No concelho de Campo Maior locaizam-se  três das vinte barragens romanas estudadas a sul do Tejo:

- Barragem do Muro (Ribeira dos Cães);

- Barragem de Olivã (Ribeira de Olivã);

- Barragem da Mourinha. (Ribeira dos Saberes)

“ Os Romanos aprenderam muito da sua engenharia com os Gregos, não tendo propriamente contribuído neste domínio com ideias originais. (…). Com efeito, a engenharia romana era extremamente prática e a grande maioria das obras era levada a cabo por pessoal militar ou sob sua orientação.” (p. 38, 39 e 44)

 “As barragens inventariadas a sul do Tejo destinavam-se essencialmente a rega ou a abastecimento populacional ou, simultaneamente, aos dois usos. (…)

Os cursos de água têm um regime extremamente irregular, estando secos grande parte do ano. O aproveitamento das águas superficiais só era, pois, possível mediante o armazenamento em albufeiras a criar por barragens. (…)

Muitas das barragens inventariadas estavam associadas a villae, mediante as quais se realizava a ocupação do “agros transtagano.”             

 Uma villae era constituída por um conjunto de edificações destinadas a habitação (villa urbana) e a explorações agrícola e artesanal (villa rústica). A maioria das villae urbanae da Península Ibérica dispunha de um ou mais pátios fechados nos quais frequentemente se encontravam tanques ou fontanários, que tinham não apenas uma função lúdica, mas também prática, pois constituíam reservatórios de água que facilitavam a rega dos jardins interiores. As edificações situavam-se na zona central de uma propriedade agrícola, o fundus.

O tipo de vida nas villae era profundamente marcado por Roma; estas dispunham em geral de instalações balneares (termas) que, na região em estudo, tinham frequentemente como origem de água as pequenas albufeiras criadas pelas barragens.” (P. 51)

 “A Barragem do Muro sobressai entre as barragens inventariadas pelas suas características arquitectónicas e pelas soluções técnicas adoptadas. Esta barragem apresenta altura e desenvolvimento notáveis, sendo o único caso em que são visíveis nos paramentos fiadas horizontais de tijoleira, dispostas regularmente, e apresenta arcos entre os contrafortes sujeitos a maior tensão. A função de tais arcos seria presumivelmente a de concentrar as cargas de peso próprio sobre os contrafortes.

Trata-se também da única barragem que apresenta, adossada ao paramento de montante, uma superfície argamassada, a qual pode corresponder ao revestimento de uma sapata de fundação da estrutura. Na ligação do muro a tal superfície observa-se um rebordo convexo usualmente encontrado noutras estruturas hidráulicas para minimizar os riscos de fendilhamento e facilitar a limpeza.” (P. 57)

Com a capacidade de 178.000 m3 é, das referenciadas, uma das de maior dimensão; situa-se na ribeira dos Cães; a área da bacia hidrográfica é de 1,7 km2. (P. 61)

 “Para a cota de 234 m (cota aproximada do topo), o comprimento da albufeira seria de 460 m, a área inundada de 82.700 m2 (…)

Trata-se de uma estrutura inédita que constitui o exemplo mais monumental da arquitectura hidráulica romana a sul do Tejo. Efectivamente, a estrutura revela uma complexidade inexistente na maioria dos casos. Consiste num muro de secção transversal rectangular de 4,2 m de espessura no trecho central, suportado a jusante por 16 contrafortes, separados entre si 3 a 4m: Tal muro apresenta a altura máxima visível de 4,6 m e o desenvolvimento de 174m, com traçado poligonal. O trecho mais alto da barragem corresponde à zona onde corre a linha de água, observando-se do lado jusante restos de três arcos de volta inteira, apoiados em contrafortes. A sua função seria a de reforçar a estabilidade do sector sujeito a maiores pressões.

A secção transversal da barragem é suficiente para assegurar a estabilidade, sem a contribuição dos contrafortes. (…)

Esta barragem possuía provavelmente uma descarga de fundo na zona de passagem da actual linha de água.” (…) (P. 65 do livro de António de Carvalho Quintela; João Luís Cardoso; José Manuel Mascarenhas, Aproveitamentos hidráulicos romanos a sul do TejoContribuição para a sua inventariação e caracterização, Ministério do Plano e da Administração do Território - Secretaria de Estado do Ambiente - Direcção-Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos - Agosto de 1987)

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Sexta-feira, 24 de Junho de 2016

A história que vou contar ter-se-á passado, há cerca de 500 anos. Reinava em Portugal  D. Manuel I.

            Campo Maior era então, uma povoação bastante pequena, com nove ruas dentro do castelo - "a Vila Velha" - e mais algumas do lado de fora das muralhas. Teria aproximadamente dois mil habitantes, ou seja, cerca de seis vezes menos do que possui actualmente.  

            Ora, a certa altura, declarou-se uma grande epidemia de peste. As pessoas ficavam doentes e, passado pouco tempo, morriam. Naquele tempo, nas terras pequenas, não havia médicos, nem medicamentos. As péssimas condições de higiene e a deficiente alimentação, faziam que qualquer doença provocasse a morte rápida de muitas pessoas, mas principalmente das crianças e dos mais velhos que eram os mais fracos.

            As pessoas pensavam que as pestes eram um castigo de Deus. Por isso, mandavam oficiar missas nas igrejas, rezavam e imploravam o perdão dos seus pecados, para se verem livres da doença.

            Vendo que as suas preces não eram atendidas, pensando que o ar estava ainda empestado pela doença, os moradores de Campo Maior que ainda não tinham sido atingidos pela peste, resolveram sair da vila. Escolheram um lugar no meio dos campos e aí construíram casas de paredes de barro e cobertas de ramos e folhas, a que se dava o nome de "choças". Ainda hoje esse lugar é chamado pelos campomaiorenses como sendo o "lugar das Choças".

            Ficaram nesse lugar muito tempo com medo de que, se voltassem às suas casas na vila, pudessem ser apanhados pela peste.

            Mas, um belo dia, no ano de 1520, um homem chamado Gonçalo Rodrigues que andava a trabalhar na sua horta, perto da vila, sentindo-se cansado, sentou-se à sombra duma figueira a descansar. De repente, apareceu-lhe uma figura rodeada de uma grande luz. Assustado, o bom homem exclamou:

“Quem sois vós senhor? Que luz é esta que não parece ser coisa deste mundo?”

Ao que, numa voz forte e calma, a figura respondeu:

“Não temas Gonçalo! Eu sou João Baptista. Não vês como está o teu povo? Vai dizer à tua gente que podem voltar às suas casas. Os vossos sacrifícios e sofrimentos despertaram a compaixão de Deus Nosso Senhor. Não haverá mais peste. Mas, em memória da graça que por Deus vos foi concedida, quero que façam na vossa terra uma igreja em meu nome e devoção.”

            O bom do Gonçalo nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido. Foi logo ter com a sua gente e contou-lhes a extraordinária aparição que tivera. Desde logo, todos decidiram que iriam fazer a igreja em honra de São João Baptista.

 

Fonte: Frei João Mariano de Nossa Senhora do Carmo  Fonseca (Séc.s  XVIII - XIX)

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
Segunda-feira, 20 de Junho de 2016

O SÍTIO DE S. PEDRO NA HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR (III)

 

FOGO NAS EIRAS DO ROSSIO

 

 “No dia 21 do corrente pelas 3 horas da tarde manifestou-se o fogo nas eiras públicas do Rossio de S. Pedro desta vila … naquele local havia próximo de 3 mil a 4 mil móios de trigo … sendo o Sr. administrador do concelho o primeiro que se apresentou no sítio do fogo à testa do qual se conservou…para evitar que o fogo se comunicasse aos mais celeiros contíguos, que não seriam menos de 800.

Não sendo menos dignos de iguais encómios e felicitações os mui nobres proprietários que correram de pronto ao lugar do incêndio… e ainda mais se deve ao geral da povoação que, ouvindo tocar o sino da câmara, abandonaram as suas casas, correndo da melhor vontade e voto próprio a acudir a um tão inesperado incidente…tornando-se muito distintos por esta ocasião os serviços prestados pelos senhores: subdirector da alfândega José das Dores; os artistas José António de Bastos, José Mendes da Mota, e Dâmaso de Albuquerque; os trabalhadores Manuel dos Santos Valadim, José Duarte, Manuel das Chagas e outros muitos cujos nomes ignoramos (…)”

 “A subscrição aberta pelo bondoso chefe da administração pública Sr. António César Lima Leitão em favor do infeliz António Rodrigues Valente a quem o fogo manifestado na eira no dia 21 do corrente reduzira à maior desgraça e miséria a quem o infortúnio havia roubado por meio das chamas, cerca de 20 moios e trigo.

Havendo 800 milheiros de trigo na eira, logo a fatalidade escolheu ser o do mais pobre que havia de arder. Devorando cerca de 20 moios de trigo que ficaram reduzidos a cinzas.          

O fogo foi lançado por descuido e pouca atenção. Ao que parece, alguém meteu uma caixa de fósforos no colete e, com o calor do sol, estes incendiaram-se.

Também, a força militar estacionada actualmente nesta terra é tão diminuta que não serve para qualquer eventualidade de maior alcance. Neste caso, apenas compareceram no incêndio 8 homens e 1 sargento, porque o resto do pessoal estava de serviço. E é com esta força disponível que se podem policiar entre 3 a 4 mil pessoas?

Não nos podemos conformar que, numa terra como Campo Maior onde já estiveram dois regimentos, se coloque agora um destacamento de 25 baionetas.”

(A VOZ DO ALEMTEJO, Nº 258 e 259, 25 e 29 de Setembro de 1863)

 



publicado por Francisco Galego às 00:30
Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

O SÍTIO DE S. PEDRO NA HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR (IV)

 

“Existem algumas indicações de que, já antes do começo da Primeira Grande Guerra, tinham existido grupos de rapazes que ensaiavam os primeiros chutos na bola aproveitando as esplanadas dos antigos fortes do Cavaleiro e do Ribeirinho, o fosso terraplanado que viria a ser o Jardim das Viúvas,onde actualmente se situava  o Lar Betânia e que é agora infantário , a terra batida do espaço onde se construiu o Jardim da Avenida,ou o Campo do Rossio, quando não estava ocupado com as eiras, pois era aí que a população fazia a debulha dos cereais e o apuro da palha. Este campo do Rossio foi arranjado pela Câmara, para a prática do futebol no começo dos anos vinte e foi o campo normalmente utilizado pelos grupos da terra quando disputavam entre si desafios ou quando recebiam grupos de terras vizinhas, principalmente Elvas, Portalegre ou Badajoz.

O campo que não dispunha de balizas fixas – improvisavam-se como dois paus a servir de postes ligados por uma corda a fazer de trave – nem sequer possuía as medidas regulamentares; mas foi o único espaço disponível para a prática do futebol até se tornar possível a utilização do Campo Capitão César Correia, no início dos anos 40.” (P. 19 do livro: Sporting Clube Campomaiorense – Das origens à actualidade (1926 – 2001), por F. Galego e J. Folgado)



publicado por Francisco Galego às 00:03
Sexta-feira, 10 de Junho de 2016

http://fotos.sapo.pt/amkPMcVKOlDrZFAONLiz/

DESENHO DA PORTA DE S. PEDRO

(SEGUNDO DESENHO DO ARQUIVO MILITAR DE LISBOA)

A porta de S. Pedro, ficava sutuada no lado Norte

da fortaleza de Campo Maior.

Não se conhece exactamente quando terá sido construida.

Pelo estilo verifica-se que é mais recente do que

a Porta de S. Maria, ou Porta da Vila

localizada no lado Sul.

Existem documentos que comprovam isto

porque a  referem com o nome de Porta Nova.

Foi demolida em 1908.

 

LOCALIZAÇÃO PORTA S. PEDRO.jpgA PORTA DE S. PEDRO LOCALIZAVA-SE NO FINAL DESTA RUA

E DAVA ACESSO AO LARGO QUE ENTÃO SE CHAMAVA LARGO DA CARREIRA,

HOJE DITO LARGO  DOS CARVAJAIS

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 05 de Junho de 2016

 

 O SÍTIO DE S. PEDRO NA HISTÓRIA DE cAMPO MAIOR

– Um projecto não concretizado

 

Até ao século XIX, os enterramentos eram feitos no interior das igrejas, nos adros, nos terrenos envolventes, nas cercas dos conventos, ou seja, em Campo Santo.

Num documento que relata a explosão do paiol da pólvora em 1732, que quase destruiu a vila de Campo Maior, indicam-se claramente quais foram os locais de enterramento, nessa época:

- Na Igreja Matriz enterram-se 76 pessoas de comunhão e 28 crianças pequenas;

- No Convento de S. Francisco, 17 crianças pequenas;

- No Hospital de S. João de Deus, 6 soldados e uma criança pequena;

- Na Misericórdia, enterrou-se apenas o seu provedor Francisco Pires Cotão que foi a pessoa principal diante do Regimento de Cavalaria e um sargento de Infantaria.

No século XIX começaram a surgir medidas a condenar esse costume, considerado contrário à saúde pública. Em Portugal, foi com o governo de Costa Cabral, mais tarde foi agraciado com o título de Marquês de Tomar, que foi aprovada uma lei de Novembro de 1845, a qual, além de várias disposições de carácter tributário, determinava que os enterramentos passassem a ser feitos em cemitérios, fora das povoações, como medida de protecção da saúde pública.

A reacção das populações, principalmente no Norte do país, conduziu a revoltas que culminaram num período de grande agitação. Em 1846, a chamada revolução da Maria da Fonte que fez cair o governo de Costa Cabral, serviu de prólogo à Patuleia que lançou o país na guerra civil em 1847.

Mas, em Campo Maior, a questão dos enterramentos nas igrejas já se tinha colocado muito antes. Numa acta da Câmara de 23 de Agosto de 1834, é referido um “Acórdão em Câmara Municipal” em que se estabelecia: “Entendendo esta Câmara às diferentes representações que tem feito o Médico deste Concelho, e a que têm continuado nesta vila diferentes moléstias epidémicas, as quais (têm) tanto mais graduação quanto menos polícia há, e que o enterramento dos corpos humanos nas Igrejas, é de muito prejuízo à saúde pública em todo o tempo, e muito especialmente em tempo de epidemias, determina esta Câmara que, de hoje em diante, não se enterre corpo algum humano nas Igrejas, e sim no cemitério que será interinamente a cerca do Extinto Convento de Santo António desta vila; cujo acórdão obriga a todas as pessoas que hajam de morrer sem atender a hierarquias – porque a lei é igual para todos (Carta Constitucional) –, nem tão pouco a moléstia.”

O projectado Cemitério de S. Pedro:

Uma acta da Câmara de 31 de Agosto de 1836 refere a arrematação da obra do cemitério e a construção do mesmo junto à ermida de S. Pedro

Na acta da sessão da Câmara de 28 de Outubro de 1836, ficou registado que:

“Respondeu-se à Circular Nº 13 que trata sobre os cemitérios, expondo-se que, por falta de meios, se não tem concluído a construção do Cemitério Público; porém que já se acha principiado, com uma grande parte da parede feita. E todos os materiais juntos, e espera-se ficar pronto de tudo até ao dia 30 de Novembro próximo; e que, neste concelho, não há mais povoações em que hajam de se fazer mais cemitérios públicos.”

Contudo, houve muitos protestos da população contra a localização do cemitério, por medo de que este fosse inquinar as boas águas da fonte e chafariz de S. Pedro, e a obra esteve embargada. O problema do cemitério foi sofrendo adiamento e só estaria completamente resolvido em 1859 com a escolha de novo local, junto à Horta do Paraíso. As actas da câmara vão dando conta desse adiamento, pois o terreno que já tinha sido murado para o cemitério passou a ser arrematado em hasta pública para ser cultivado.

Na acta de 17 de Setembro de 1851 consta o seguinte: “Acto de arrematação do terreno do cemitério de S. Pedro feita a José Augusto de Miranda Cayolla por tempo de um ano pela quantia de14$400 réis.

Na acta da sessão da Câmara de 24 de Setembro de 1853:

“Não se arrematou Vale Morto, nem o Cemitério de São Pedro, por não haver lanço que conviesse a esta Câmara; por isso, ficou adiada para a sessão do 1º dia do futuro mês de Outubro. Para ir novamente à praça para o fim de se obter maior lanço.”

O Cemitério do paraíso:

O último enterramento feito no cemitério da cerca de São Francisco, foi o de Aurora Pereira em 14 de Dezembro de 1859 e o primeiro no Cemitério do Paraíso foi o de Maria do Carmo em 17 de Dezembro de 1859, segundo os assentos de óbitos da Freguesia de S. João Baptista.

            Mas, uma lembrança coeva particular refere que:

            “(…) no dia 15 de Dezembro de 1859, deu começo o Cemitério do Paraíso, extramuros desta vila de Campo Maior, sendo a primeira pessoa sepultada nele o filho do Morgado José Augusto Cayolla (mas ocultamente).

 



publicado por Francisco Galego às 00:04
Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

O SÍTIO DE S. PEDRO NA HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR (II)

 

“Neste sítio há uma Ermida do Apóstolo S. Pedro…

 (…) A Igreja de S. Pedro é uma Ermida feita de paredes de terra e de muito pobre arquitectura sem que tenha demonstração (de que) pudesse nunca ter mais avultados princípios. A qual se reedificou nos nossos tempos, porque no da Guerra da Aclamação (Restauração) padeceu grande ruína. As colunas (grandes pedras que se encontram neste lugar) que ainda se descobrem, mostram que o lugar tinha extensão porque há três anos que andando um lavrador lavrando uma pequena parcela de terra que está defronte do chafariz, descobriu uma sepultura de que tirou tijolos, para se aproveitar deles, de notável grandeza e qualidade de barro e fica este sítio em bastante distância da Igreja de S. Pedro. (Estêvão da Gama, p. 29 e 30)

            “(…) A Ermida …a qual é de grande romagem dos moradores às quintas-feiras da Quaresma, com indulgência plenária (tem na parede do lado esquerdo da nave, uma imagem de São Pedro). A Imagem é pintada a fresco na parede, em hábito pontifical e se conserva no mesmo estado, como refere o Dr. Novaiz, acrescendo à sua ponderação a circunstância da Guerra da Aclamação, que durou 28 anos, esteve exposta à inclemência dos tempos por se arruinar a Igreja e não teve nenhuma diminuição aquela Imagem, não tendo sido retocada, nem necessitar de nenhum benefício da arte.

            Neste sítio estão as colunas de que já se fez menção e outros sinais de edifícios. Há pouco tempo, a ermitoa que hoje existe achou uma moeda de ouro de tamanho de uma de seis vinténs, mas muito delgada e com um bocado menos na circunferência. Porém, de uma parte estão as letras bem formadas e se lê nelas Toleto Pios, cuja moeda se acha em poder de Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, Governador desta Praça...”

(Estêvão da Gama, p. 61)     

 



publicado por Francisco Galego às 00:03
Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

 

 

s350x255.jpgFOTOGRAFIA ANTIGA

 

FONTE E ASSENTO.jpgA FONTE COM O SEU BEBEDOURO PARA ANIMAIS

(Repare-se na antiga fachada do Assento Militar de Provisões de Boca)

 

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 FOTOGRAFIA ACTUAL

(Sem o tanque-bebedouro para os animais, mas com um laguinho e um repuxo ao lado)

 

É uma fonte interior às muralhas seiscentistas mas, por estar localizada numa entrada importante da vila, apresentava a dupla função de fonte e de bebedouro para os animais. Mas o tanque destinado a esta última função foi recentemente demolido.

A fonte propriamente dita ainda se encontra no mesmo local, mas esteve associada a uma estrutura muito recente de carácter meramente decorativo que foi há pouco tempo retirada.

Enfim! ...As judiarias que se fazem ao PATRIMÓNIO ... E algumas reparações, para recuperar o que ainda não se perdeu.



publicado por Francisco Galego às 00:04
Sexta-feira, 20 de Maio de 2016

s353x255.jpgA FONTE

s354x255.jpgO BEBEDOURO PARA OS ANIMAIS

 

Das três fontes exteriores – de S. Pedro, das Negras e Fonte Nova - que rodeiam Campo Maior, será provavelmente, a de construção mais recente. Daí a razão do nome. Temos, contudo, de relativizar o seu carácter de novidade, pois que, já em documentos do século XVIII, aparece designado o ribeiro que lhe está adjacente como o Ribeiro da Fonte Nova, o qual tinha a interessante função de abastecer a lagoa que então existia entre os baluartes de S. João e de Santa Cruz.

 

Nesta fonte, a tríplice função estava bem testemunhada, antes de ter sido destruido o tanque de lavagem das roupas. Existe ainda uma estrutura que é a fonte propriamente dita, abastecida por um cano que vem de uma distância de cerca de um quilómetro no caminho de Degolados, sendo visíveis ainda as arcas de água;da fonte, a água escorre para um grande bebedouro destinado aos animais; deste a água era encaminhada para o tanque de lavagem de roupa que foi destruido e o local foi coberto por uma construção que agora é a sede do "Núcleo dos Combatentes".



publicado por Francisco Galego às 00:09
Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

 

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É a mais recente das fontes de Campo Maior. Está datada de 1954. Contudo, é bem provável que perto deste local tenha existido uma outra fonte, associada ao extinto e desaparecido convento de S. João de Deus, que abrigava o hospital militar de Campo Maior, nos séculos XVII e XVIII.

Ainda hoje é visível uma fonte no pátio de acesso à casa que ocupa parte do terreno que pertencia ao convento e que fica entre as ruas de S. João, Santa Cruz, Visconde de Seabra e Vasco Sardinha.



publicado por Francisco Galego às 00:07
Domingo, 15 de Maio de 2016

Título Original: Money Monster

Realizador: Jodie Foster

Actores: George Clooney, Julia Roberts, Jack O'Connell

Sinopse:

“No intenso thriller MONEY MONSTER, realizado por Jodie Foster, Lee Gates (George Clooney) é uma bombástica personalidade da televisão, cujo popular programa sobre investimentos financeiros o torna no guru do dinheiro em Wall Street. Mas depois de Gates promover a compra de ações de uma empresa de alta tecnologia, que misteriosamente entra em “crash”, um investidor irado (Jack O’Connell) faz de  Gates, da sua equipa e da sua produtora Patty Fenn (Júlia Roberts) reféns, durante a emissão ao vivo do programa. Num desenvolvimento em tempo real, Gates e Fenn terão de encontrar uma forma de se manterem vivos e, simultaneamente, desvendarem a verdade por trás de uma teia de grandes mentiras financeiras.”

 

 

Ontem, dia 15/5/2016, pelas 15 horas, fomos ao Loures Schopping ver o filme Money Monster, realizado por Jodie Foster. A grande atriz em que soube tornar-se, optou agora por lançar-se numa outra via que parece conduzí-la na senda de novos êxitos como  realizadora.

Somos colocados perante uma tremenda denúncia dos métodos utilizados pelos sistemas financeiros que, através dos meios de comunicação que dominam, se apoderam das pequenas ou médias poupanças dos que, incitados pelas “grandes estrelas” de programas de televisão de grande audiência, nas grandes metrópolis, acreditam que os paraísos, estão mesmo ali, ao alcance de um gesto.

 Lee Gates é uma das personagens centrais, magistralmente representada por Clooney, apresentador de um programa, num canal de televisão de grande popularidade, sobre as extraordinárias oportunidades de investimentos que garantem a aquisição de rápida riqueza, através da rede de agentes que actuam em Wall Street.

De repente o programa, no ar, é interrompido por um homem armado de pistola e de um colete que impõe ao apresentador, armadilhado de forte bomba, com ameça de fazer ir pelo ar todo o edicífio com os que dentro dele estiverem. O agressor é um jovem de fracos recursos que foi induzido pelo programa a investir uma pequena herança deixada pela mãe e que viu no investimentp publicitado como absolutamente seguro, uma oportunidade de escapar à sua vida de miséria sem outro tipo de esperança. Com esta ameaça “terrorista”, ele pretende a reparação e a denúncia pública do atentado de que ele e muitos outros como ele, foram vítimas pela programada e intencional acção de extorção de que foram vitimas. Um “crash” provoca a “evaporação” do investimento feito pela empresa financeira a que os investidores confiaram o seu “Money” que se transformou num “Monster” de vigarice de ludibrio e de falsificação.

Acaba-se por descobrir que tudo não passou de trama congeminada pelo responsãvel máximo da empresa (CEO), esperando ser o beneficiário único do estratagema maquinado através de hábeis processos de manipulação de sistemas informáticos.

O apresentador do progama vai descobrindo que também ele está muito próximo de ser vítima porque, usado como agente directo da ludibriação se constituiu como responsável perante este agressor que tem agora um poder total sobre vida de todos os que estão envolvidos na realização do programa.

O filme torna-se um documentário que demonstra, de forma inquestionável, como estamos a chegar ao ponto de nos tornarmos total e perigosamente dependentes de gente sem escrúpulos, alucinados pelo deslumbramento da riqueza fácil, que aspira adquirir poderes sem limites, sem consciência do perigo que representa a sua corrupta e irresponsável insensabilidade para os desiquilibrios sociais que estão a gerar.

A morte final da vítima que se improvisou em ameça “terrorista”, é o momento “clímax” de conscialização total do apresentador-propagandista, inicialmente assumido como agente directo deste conluio que acarretava tantos para a castátrofe final e irremediável das suas vidas de prespectivas já de si tão pouco passíveis de grandes esperanças. Assim, o filme cumpre o seu objectivo: trata-se de lançar o alerta contra o perigo deste MONEY MONSTER, fatal ameaça á nossa segurança e perigo eminente sobre a totalidade da nossa civilização.



publicado por Francisco Galego às 16:54
Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

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 FONTE DE S. FRANCISCO

 

A fonte actual tem um efeito meramente decorativo.

Foi deslocada para o seu local actual, no século passado.

A data que ostenta, 1766, é a da sua construção inicial. Mas a fonte foi transferida no início do século XX, quando da demolição da cortina de muralha seiscentista que ligava o baluarte de S. Francisco ao meio baluarte de Santa Rosa. A "abertura" que se fez naquele local deu o nome àquela zona que, na linguagem popular, passou a ser designada como a "Abertura".

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INSCRIÇÃO NO FRONTESPÍCIO DA FONTE:

 

A DEUS TAIS CLAMORES LEVANTARÃO

A DEUS EM ALTAS VOZES INVOCARÃO

E DEPOIS QUE SEU CLAMOR SOOU

PIQUENA FONTE IMPERIO SE TORNOU

E COPIOSAS AGUAS TRANSBORDARÃO

1766

 

Primeiramente a fonte  ficava defronte da actual Rua de S. Francisco e fazia parte de uma estrutura que, além da fonte propriamente dita, alimentava  também um bebedouro para animais (chafariz) que ficava um pouco mais abaixo e um tanque para lavagem de roupas. Naquele tempo,  frente ao chafariz  ficava um largo que, por isso  mesmo, era  chamado largo do chafariz.O tanque de lavagem de roupas ficava  no sítio que agora é ocupado por um edifício que já foi lagar de azeite e é agora uma oficina de mecânica automóvel.

 



publicado por Francisco Galego às 00:19
Domingo, 08 de Maio de 2016

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s344x255.jpgO PAINEL DE AZULEJO

Esta fonte só está localizada no sítio actual desde 1936, pois que, antes de ser derrubada a cortina de muralha seiscentista que ligava o baluarte de S. Francisco ao meio baluarte de Santa Rosa, esta fonte não existia. A sua função era desempenhada por uma outra que lhe fica muito próxima: a Fonte de S. Francisco.

Tal como a Fonte das Negras, apresenta um tanque de recepção das bicas de grande dimensão, pois desempenhava também a função de bebedouro para os animais de tracção. Aliás, o nome de chafariz indica claramente essa função.

O seu frontispício é decorado por interessante painel de azulejos representando uma cena campestre, onde figura o típico carro canudo, meio de transporte muito utilizado até meados do século XX.

 



publicado por Francisco Galego às 00:06
Sexta-feira, 06 de Maio de 2016

 

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 A ANTIGA FONTE

 

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 A MESMA FONTE, AGORA JUNTO AO CASTELO

 

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 A ACTUAL FONTE DOS CANTOS DE BAIXO

 

A fonte actual, datada de 1936, nada tem a ver com a fonte primitiva que ficava no centro do largo chamado dos Cantos de Baixo. A antiga fonte foi desmontada e retirada do local para permitir a circulação dos autocarros da carreira que tinham de dar a volta da Rua de Ramires, para a Rua da Misericórdia, para terem acesso ao Terreiro, onde se situava a central de paragem desses autocarros.

Este largo dos Cantos de Baixo, desempenhou, no séc. XX, uma função social importantíssima pois que, era aí que os homens que trabalhavam nos campos, como jornaleiros, se juntavam, ao fim do dia para conviverem e, era aí, que se dirigiam os manageiros para fazerem os contratos de trabalho.

Para as mulheres, a fonte, devido à sua localização muito central, no centro histórico da vila, era além de local de abastecimento de água, também um ponto de encontro, de convívio e de circulação de informações sobre a vida local. Era alimentada por uma abundante nascente que raramente secava.

Provavelmente, a sua nascente localizava-se um pouco mais a norte, mais ou menos na actual Rua General Magalhães, antes designada de Rua de Nantio, corruptela de Menantio. Esta palavra poderá denunciar a existência de um nascente de água? O termo menantio é da mesma raiz que manancial, ou seja, sítio de onde a água mana ou emana.

É bem provável que esta nascente abastecesse também a fonte desaparecida que existiria na confluência das ruas chamadas Fonte de Cima e Fonte de Baixo e que estaria localizada no sítio ocupado pelo baluarte que, significativamente se chamava, Baluarte da Fonte do Concelho.

A fonte primitiva foi desmantelada e esteve, durante muitos anos, guardada. Foi depois  reconstruída na Praça Velha, na proximidade do castelo, onde agora se encontra.

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publicado por Francisco Galego às 00:06
Segunda-feira, 02 de Maio de 2016

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                A actual Fonte das Negras

 

.Nenhum documento nos elucida sobre a razão deste nome. Será que, noutro tempo, foi a fonte destinada ao abastecimento de água feito por escravas negras? É bem provavel porque assim acontecia noutras povoações.

A fonte, na sua localização actual, é bastante recente, pois está datada de 1936. Foi, portanto obra do Estado Novo, que também construiu um pouco mais abaixo, os tanquinhos para lavagem pública das roupas.

Mas, ela é muito mais antiga pois que assim se designam os terrenos em volta, como consta nos documentos que referem a existência nesse local do convento de Santo António, de monges da Ordem de S. Francisco e que teve de ser demolido para se construírem as muralhas, em 1645. Tal está testemunhado pela existência do que resta da rua que ligava a Rua de S. Francisco ao convento e que ainda hoje se chama Rua de S. Antóinio, a qual termina numa escadaria para cesso à muralha da fortaleza que foi aí construida. A mesma nascente que abastecia a desaparecida fonte do Concelho, abasteceria a  comunidade religiosa que habitava o convento.

 A fonte primitiva (será que o povo lhe chamava Fonte das Negras?), estaria na proximidade desse convento, no local onde foi construido o Baluarte da Fonte do Concelho, na confluência de duas ruas que antigamente se chamavam Rua da Fonte de Cima (parte terminal da Rua 13 de Dezembro ou Canada) e Rua da Fonte de Baixo (actual Rua do Nordeste). A antiga Fonte do Concelho desaparecida em meados do século XVII, quando foi construida a fortaleza terá dado ao baluarte aí construido, o nome de Baluarte da Fonte do Concelho.

Embora a  estrutura da actual Fonte das Negras indique apenas a função de abastecimento de água para beber, o tanque de recepção das suas bicas é amplo e  servia também de bebedouro aos animais de tracção. Mas,  a água   escorria deste bebedouro e era utilizada para abastecer os tanquinhos, localizados um pouco mais abaixo, onde as mulheres lavavam roupa. Portanto, assim sendo, também esta fonte exterior desempenhava uma tríplice função de fonte, chafariz para bebedouro dos animais e tanque para lavagem das roupas.

 



publicado por Francisco Galego às 00:04
Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

 

sao pedro.jpgFonte de S. Pedro: em primeiro plano, o tanque para lavar roupa, seguindo-se o bebedouro e a fonte.

 

Tudo indica que seja a mais antiga das fontes de Campo Maior.

É constituída por uma tríplice estrutura de acordo com as funções a que se destinava: fonte, bebedouro e tanque.

Localizada numa importante saída de Campo Maior, perto do local onde se ramificam os caminhos que dão acesso a Ouguela e às terras mais férteis do concelho que começam no chamado Rossio de S. Pedro.

Fica situada à entrada de um vasto terreno plano que antigamente se chamava “a Defesa de S. Pedro”: Este terreno que era propriedade do município, tinha funções importantíssimas para a comunidade agrícola que habitou Campo Maior até ao fim do século XIX. Aí se localizava uma área importante de cultivo de cereais, a qual servia também de pastoreio comunitário para os gados, em aproveitamento dos restolhos, e do Rossio onde se faziam as eiras.

Mais adiante há outra pequena fonte,  vendo-se os bebedouros para gado bovino, ovino e caprino. A função deste local para o resguardo dos gados e o pastoreio comunitário, está bem testemunhada na existência de um bebedouro de muros baixos destinado ao gado bovino, ovino e caprino, o qual fica a pouca distância da Fonte de S. Pedro, e é alimentado pela mesma nascente.

No final do século XIX, parte destes terrenos foram divididos em parcelas e distribuidos pelos habitantes da vila. Para evitar favorecimentos, as parcelas eram numeradas e esses números extraidos à sorte. Como se fizera também nos terrenos das terras comunais, desiganadas como  a Defesa da Godinha. Daí o nome de "sortes" atribuido a essas parcelas.

A Fonte de S. Pedro foi sempre de tal importância para a população de Campo Maior que, quando se projectou a construção do cemitério no terreno murado adjacente à Ermida de S. Pedro, o povo protestou, temendo a contaminação das águas. A Câmara, considerando pertinente a razão invocada, mudou o local do cemitério para o sítio onde, até hoje, se localiza, ou seja, em terrenos adjacentes à Horta do Paraíso, daí o nome de Cemitério do Paraíso. Enquanto o novo cemitério e a estrada de acesso se faziam, os enterramentos foram feitos na cerca que pertencera ao extinto convento franciscano de S. António.

O local que chegou a estar preparado para o cemitério, era o terreno que, para o efeito foi murado, no topo da Avenida Calouste Gulbenkian, colado ao terreno da Ermida de S. Pedro que  deveria servir de capela do cemitério.

O mais interessante é que, como ficou provado por investigação arqueológica, este local já fora cemitério no tempo dos romanos. Seria designado como Ad Sptem Aras  (Traduzindo à letra, Dos sete altares) e era ponto de apoio para os viajantes na estrada para Mérida. Como tal, seria considerado chão sagrado, com templo  para o culto religioso e cemitério para enterramentos.  Teria como anexos, os aposentos para repouso e o local para banhos, devido à abundância e boa qualidade da água.

 



publicado por Francisco Galego às 00:09
Domingo, 24 de Abril de 2016

 

No Alentejo, devido às características do seu clima, o abastecimento de àgua, é factor determinante para o estabelecimento e crescimento das povoações.

Campo Maior, praça de guerra até meados do século XIX, foi com Ouguela, Elvas, Juromenha e Olivença, uma das principais defesas do corredor do Xévora-Caia, por onde se fizeram as maiores tentativas de invasão do nosso território a partir do país vizinho, desde meados do século XVII até meados do séc. XIX.

A sua função militar determinou fortemente o crescimento do casco urbano da vila. Confinada no cerco das muralhas, viu, durante séculos, limitado o seu crescimento e, mesmo, definido o tipo de utilização dos seus campos, uma vez que, por razões de estratégia militar, as terras que rodeavam a povoação não deviam ser arborizadas. Predominava, por isso, o campo aberto, servindo de plantio de hortas  e de searas para abastecimento das pessoas  e de pastos para os rebanhos de animais.

Em épocas de relações pacíficas com a Espanha, como no período que vai desde o século XIV, ao século XVII, abrandadas as preocupações defensivas, a vila tinha podido crescer para além das muralhas medievais.

Esse crescimento foi então determinado por um outro factor: a existência de fontes que garantissem o abastecimento de água à população.

Durante o período atrás referido, a vila cresceu ao encontro das grandes nascentes de água. Assim, desenvolveu-se uma área de crescimento em direcção à Fonte S. Pedro, a nordeste do núcleo medieval, outra em direcção à Fonte Nova, a noroeste, uma terceira em direcção à área da Fonte das Negras, a leste.

As fontes são, portanto, um dos factores do crescimento do núcleo urbano. Nesses pontos se localizam as mais antigas e persistentes nascentes de água do concelho.

Algumas dessas fontes eram servidas por duas grandes linhas de abastecimento, testemunhadas pelas "arcas de àgua" que ainda existem, no caminho para Degolados e no sector onde agora foi construido o Centro Escolar de Campo Maior e que antes eram designado  como o Alto do Carrascal.

Na agora construida rotunda entre o Centro Cultural e o Centro Escolar, existia uma "arca d'àgua" que numa placa de mármore, aposta numa das suas faces, tinha a inscrição de que foi possível transcrever:

POR OCASIÃO DA ESTERILIDADE DE 1895 

A CAMARA MUNICIPAL FEZ ESTA OBRA

PARA AUGMENTAR O VOLUME D'ÁGUA

POTAVEL (...)

 

Noutra "arca d´água" que fica no caminho para Degolados, está uma inscrição de que foi possível transcrever:

    EM 1827 REGENDO EM NOME DEL´REI O SR. D. PEDRO IV,

A SERENÍSSIMA INFANTA D.ISABEL MARIA,

MANDOU A CAMARA DE CAMPO MAIOR FAZER ESTA OBRA

SENDO PRESIDENTE ... JOSÉ ALEXANDRO DE MENDES

E VEREADORES FRANCISCO MANUEL PIRES COTÃO,

FERNANDO DE SOUSA MIGUEINS,

SEBASTIÃO DO REGO GALVÃO

PROCURADOR DOMINGO LOPES SERRA

ESCRIVÃO ANTÓNIO DENTES DE MATOS

 

A Fonte de S. Pedro, provavelmente a mais antiga, é alimentada por um outro manancial. Este local foi habitado desde os mais remotos tempos. Têm aparecido, com abundância, vestígios de ocupação romana, no espaço que a rodeia. Perto da fonte, localiza-se o mais antigo dos locais de culto de Campo Maior: a Ermida de S. Pedro. Este templo assenta sobre vestígios de um templo romano e constituiria um ponto de apoio aos viajantes. sendo designado como Ad Septem Aras, era o ponto de encontro das estradas que se dirigiam para Emerita Augusta (Mérida), grande urbe romana. A estrada que daqui partia para Mérida, passaria pela ponte romana de que há vestígios, junto da Ermida da Enxara.

Também a desaparecida Fonte do Concelho, bem como a Fonte das Negras que a substituiu, teriam  origem noutro manancial. (Será que o antigo nome Rua de Nantio (derivado de "menantio") terá a ver com uma nascente de água?)

Estas fontes ficaram exteriores à vila quando, , por razões de estratégia militar, a vila teve de ser defendida após a Restauração de 1640. Na eminência de ataques pelo exército espanhol, a vila foi dotada de novas muralhas e de um conjunto de baluartes (entre eles o que se chamava "Baluarte da Fonte do Concelho", frente ás tardicionalmente chamadas Rua da Fonte Cima e Rua da Fonte de Baixo)).

Devido  á construção da fortaleza, deu-se uma contracção do casco urbano que provocou o desaparecimento de bairros que se tinham estendido nas três direcções atrás referidas. Desapareceu também o antigo Convento de São Francisco, localizado no actual Campo da Feira.

Mas, as fontes persistiram até à actualidade. Essas fontes exteriores estão localizadas nos pontos principais de acesso à vila e vão desempenhar uma tríplice função que definiu a sua estrutura muito particular pois são, simultaneamente, fontes de abastecimento de água potável; são bebedouros para os animais e tanques para a lavagem das roupas.

Por outro lado, prevenindo a possibilidade de cercos demorados, a vila teve de se dotar de outras fontes, internas às muralhas, que assegurassem o abastecimento normal de água. Por isso, essas fontes internas eram mais simples porque desempenhavam apenas essa função. Na actualidade, estas fontes têm um mero carácter decorativo, pois o sistema de abastecimento de água ao domicílio tornou-as desnecessárias.

 


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publicado por Francisco Galego às 08:25
Sábado, 23 de Abril de 2016

LOCALIZAÇÃO

 

            Três léguas a norte de Elvas

            Três léguas a ocidente de Badajoz

            Pelo termo desta vila passa o rio Caia que, em distância de meia légua, o divide do termo de Elvas. Este rio tem sua origem na Serra de S. Mamede, junto ao Monte do Sete, termo da vila de Marvão, donde desce discorrendo pelos soutos de Alegrete, campos de Arronches até próximo das suas muralhas, até ir meter-se no rio Guadiana, defronte de Telena, aldeia de Badajoz.

            Confronta também com o termo de Arronches pelo Ribeiro do Congronhil, hoje chamado da Valada, e Pedras dos Guisos.

            E com o termo da Vila de Ouguela em distância de meia légua.

 

Relação abbreviada dos factos mais recommendaveis da revolução de Campo Maior em 1808 . Fr. João Mariano de N. Senhora do Carmo Fonseca. , p. 18.

 

 

Vila antiga e praça de armas da província do Alentejo, Campo Maior demora três léguas ao norte de Elvas, três ao oeste de Badajoz, três a sul de Albuquerque e quatro a leste de Arronches.

O terreno onde está assente a povoação é alto ao Sul, baixo a Leste e Oeste, erguendo-se um pouco ao Norte. Sobranceiro a todos os lados da vila, na extremidade sul, eleva-se o castelo, forte, vistoso e imponente. Respectivamente às cercanias, a praça é baixa e dominada por muitos cerros a Leste, Norte e Oeste, na distância de mil a dois mil metros, o que constitui a sua defesa difícil e perigosa.

 

In, João Dubraz, Recordações dos últimos quarenta anos, 1868

 

 

ORIGENS

 

Campo Maior foi povoação de mil e duzentos vizinhos; hoje, por causa das guerras com Castela, se acha com oitocentos e cinquenta, com casas muito nobres e limpas…

Foi ganhada aos Mouros na era de 1219 pela família dos Peres, naturais de Badajoz; estes a deram à fábrica da Igreja de Santa Maria do castelo, sendo Bispo de Badajoz D. Pedro Peres, que lhe deu por Armas Nossa Senhora e um Cordeiro com círculo à roda que diz “Sigillum Capituli Pacensis”. Depois, no reinado de D. Dinis que lhe fez Castelo na parte mais alta do terreno para o de Elvas, havendo controvérsia entre os moradores sobre o lugar onde haviam de estender a povoação, ajustaram que no maior campo de que resultou o nome de Campo Maior.

(P. António Carvalho da Costa «1650-1715» “Corografia portuguesa e descriçam topográfica do famoso reyno de Portugal…” «1706 -1712»)

 

 

COMO SE FORMOU A VILA DE CAMPO MAIOR?

 

Segundo palavras textuais do Dr. Ayres Varella no “Teatro de Antiguidades de Elvas” foi escrito pelos anos de 1644 a 1655:

 

O castelo de Campo Maio é obra muito antiga e muito forte tanto por razão do sítio como pelas torres e muralhas. Foi fabricado pelos mouros e reparado por El-rei D. Dinis que levantou a maior torre que nele há e, por essa razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador.

Os romanos lhe deram o nome com muita propriedade porque daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.

(p. 29)

            Diz o mesmo autor que junto do castelo havia duas aldeias da jurisdição de Badajoz e que a mais populosa se chamava Joannes, ou por ser Bartholomeu Joannes a principal pessoa da aldeia, ou porque a água que para ela vinha era do Campo de Valada que pertencia ao mesmo Bartholomeu Joannes. E a outra aldeia se chamava dos Luzios, que seria perto do castelo, mas da qual não há qualquer notícia.

            Segundo Ayres Varella, o sítio da aldeia de Bartholomeu Joanne seria a um quarto de légua do castelo, para os lados de Arronches, junto da herdade chamada de Valada, num local onde ainda existia no século XVII uma fonte com esse nome, um arco de alvenaria e ruínas de casas.



publicado por Francisco Galego às 00:35
Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

O actual Palácio Olivã, é certamente uma das mais nobres casas e, provavelmente, uma das de mais antiga construção em Campo Maior, por ser uma das que conseguiu sobreviver à grande tragédia de 1732, em que, do rebentamento do paiol da pólvora resultou a quase total destruição do casario desta vila raiana.

            Na sua Galeria de Figuras, publicada nos anos 50 do século passado, João Pessoa escreve sobre D. Manuel de Menezes, natural de Campo Maior, cronista-mor do reino e com uma carreira começada ao lado do Prior do Crato e que terminou com a prestação de honrosos serviços no Oriente já sob o governo dos Filipes, o seguinte:

 

Encontrava-se no seu paço de Campo Maior, então cercado de vasta quinta (Casa do Barata), preocupado com o estudo e afastado das lides oficiais, quando em 1625, o nomearam General da Armada, para comandar a esquadra de vinte e seis navios guarnecidos por 24.000 homens, com a qual foi restaurar a cidade da Baía, usurpada pelos holandeses.

 

Este texto permite tiara algumas ilações importantes sobre o actua Palácio Olivã:

- Tendo os Menezes ocupado a função de governadores de Campo Maior, daí resulta que a sua residência fosse referida como o paço;

- Assim sendo, o nome da rua onde o palácio se localiza, não adveio de nela se localizar um "passo" processional, mas de ter sido a rua da residência do governador.

 

Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, governador de Campo Maior no século XVIII, refere-se a mesmo palácio do seguinte modo:

(Estas casas) são de D. João de Aguilar Mexia, no Terreiro das Estalagens, com oito janelas e outras tantas baixas. Tem dentro uma horta com muitas árvores, uma fonte com a mesma água que vem à que tem públicas o Povo. Nelas se tem acomodado o Sr. Infante D. Francisco, as três vezes que tem vindo a esta praça. Nestas mesmas casas se fez aposentadoria para S. Majestade D. João V), que Deus guarde, o ano de 1716, de que não usou, porque vindo no dia doze de Novembro a esta praça voltou no mesmo a Elvas, por causa da chuva que sobreveio.

- Por este texto se pode concluir que, no início do Século XVIII, o palácio seria senão a mais nobre, uma das mais nobres casas de Campo Maior.

 

No século XIX o actual Palácio Olivã foi adquirido por um tal José Vitorino Machado, natural de Olivença. O qual, através do comércio conseguiu enriquecer, tornando-se grande proprietário e chegando mesmo a ocupar cargos elevados na administração local. Foi este senhor que adquiriu o Palácio dos Menezes (Casa do Barata), no qual viveu como nobre embora fosse penas um abastado plebeu. Casou com uma senhora elvense muito mais nova, que foi sua herdeira universal.

Esta senhora casou depois, em segundas núpcias, com Cristóvão Cardoso de Albuquerque Barata, oriundo de Paredes de Coura, sargento de brigadas que serviu na guarnição de Elvas e, depois, na de Campo Maior.

Foi durante muito tempo chefe do Partido Progressista, sucessivamente investido no cargo de Administrador do Concelho.

Devido à sua ccção em defesa do concelho de Campo Maior, ameaçado de extinção, em 1868,  viu o seu nome dado ao largo onde se situava o palácio de sua residência e, "devido à sua benevolência com os mais humildes", veio a ser agraciado como Comendador da Ordem de Cristo. Seu filho, Cristóvão Cardoso Cabral Coutinho de Albuquerque Barata que fez carreira na magistratura atingindo o cargo de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, foi agraciado com o título de Visconde de Olivã.

A estes seus últimos proprietários,  se deve a restauração e a conservação do palácio nos finais do século XIX e primeira metade do século XX.

                                              



publicado por Francisco Galego às 00:00
Domingo, 17 de Abril de 2016

“Com a trovoada que algumas horas antes principiara medonha, estavam os moradores já despertos. Caíram 836 moradas de casas das 1.076 de que se compunha a povoação. Morreram 256 pessoas de todas as idades, ficando feridas mais de 2.000.”

         As igrejas, conventos e em geral todos os edifícios, grandes e pequenos, sofreram consideravelmente. O cataclismo teve lugar a 16 de Setembro de 1732 entre as 3 e as 4 horas da manhã, por efeito de uma descarga eléctrica. Ainda então era governador militar Estêvão da Gama, que teve por destino assistir aos dias de maior glória de Campo Maior no Cerco de 1712, e ao seu maior desastre, a explosão. Os poderes públicos e as povoações vizinhas não escassearam nos socorros aos campomaiorenses nestes horríveis dias de provação e angústia.

(Estêvão da Gama, p. 138)



publicado por Francisco Galego às 00:01
Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

 

 O primeiro coreto de Campo Maior, foi construído totalmente em madeira, na transição do séc. XIX para o séc. XX. Foi instalado no local onde anteriormente estivera localizado o Pelourinho.

A actual Praça da República, que então se chamava Praça D. Luís, mas que o povo designava como Praça Nova, tornara-se a centro da vila  substituindo nessa função o antigo Largo Barão de Barcelinhos, vulgamente designado por Terreiro. Os mercados que aí se realizavam passaram para a Praça que se tornou também o espaço em que se realizavam as feiras, estendendo-se estas pelas ruas de S. Pedro (actual Major Talaya) e Canada (actual 13 de Dezembro), As feiras foram depois transferidas para a Avenida. 

Numa época em que a vila estava ainda cercada pela barreira fechada das suas muralhas, a Praça, era também o espaço de passeio público onde as senhoras se passeavam à noite quando o estado do tempo o permitia. O coreto foi aí instalado para animar o passeio público nos dias festivos. Campo Maior chegou a ter duas bandas filamónicas, entre as quais existia uma grande rivalidade, pois estavanm ligadas às opções políticas dos seus habitantes.

Esse coreto de madeira foi transferido para o seu actual local quando foi construida a Avenida, mas foi-lhe constuida uma nova base em alvenaria. Mais tarde, o mestre Ilídio, um dos grandes "mestres  ferreiros",  que então existiam em Campo Maior, construiu-lhe a cobertura em ferro forjado que foi destruida para, em seu lugar ser colocado o actual coreto.

 

CORETO.jpg

 

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publicado por Francisco Galego às 00:04
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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